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O futuro promissor da competitividade na indústria de lubrificantes

Amanda Silveira – Especialista de ESG da ICONIC A indústria de lubrificantes caminha para uma fase de grandes oportunidades no século XXI, impulsionada por avanços tecnológicos, transformação digital e novas demandas de mercado. Globalmente, o setor movimenta um valor expressivo — estimado em mais de US$ 160 bilhões anuais — e apresenta perspectivas de crescimento sólido.

Publicado 07/11/2025

A consultoria Kline projeta que o consumo mundial, hoje em torno de 39 milhões de toneladas, manterá trajetória positiva, com a região Ásia-Pacífico saltando de 16,7 para 18 milhões de toneladas até 2027. Ao mesmo tempo, o surgimento de nichos de alto valor, como fluidos para veículos elétricos, abre espaço para mercados bilionários, projetados para ultrapassar US$ 28 bilhões até 2037, transformando desafios em novas fontes de receita.

No Brasil, a cadeia de logística reversa de óleo lubrificante usado e contaminado (OLUC) registrou resultados expressivos em 2023. Foram coletados 567,4 milhões de m³, equivalentes a 64,66% do volume com potencial de rerrefino, abrangendo 4.346 municípios atendidos com coleta, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Resíduos Sólidos (SINIR). Esse desempenho tem impacto direto na sustentabilidade.

O rerrefino de óleo lubrificante usado reduz em 2 kg de CO₂ equivalente por litro produzido, além de diminuir a necessidade de extração e processamento de petróleo para obtenção de óleo básico. Assim, a logística reversa deixou de ser apenas um requisito regulatório para se consolidar como diferencial competitivo, agregando valor às marcas e gerando oportunidades comerciais junto a clientes que priorizam fornecedores alinhados a metas ESG.

Paralelamente, investimentos expressivos em pesquisa e desenvolvimento vêm ampliando a capacidade produtiva e a qualidade técnica do setor, com empresas reforçando seus portfólios para atender normas rigorosas como API SQ, ILSAC GF-6 e ACEA 2023. A transformação digital e a automação industrial elevam padrões de eficiência, reduzem custos e abrem espaço para novos modelos de negócio, como contratos de desempenho e serviços de manutenção preditiva.

O capital humano também desponta como diferencial competitivo. Empresas do setor estão ampliando seus programas de educação corporativa, indo além da formação técnica convencional e estimulando competências, como o domínio de cálculo e raciocínio matemático aplicado à engenharia, produção e gestão de processos. O incentivo ao aprendizado — aliado à “fome por conhecimento”, ao incentivo ao pensamento crítico e ao empreendedorismo institucional — vem preparando profissionais mais completos, capazes de interpretar dados, tomar decisões fundamentadas e liderar projetos complexos.

Com um mercado de consumo robusto, alto valor agregado e uma agenda de inovação e sustentabilidade em pleno avanço, a indústria de lubrificantes tem todos os elementos para ampliar sua competitividade e protagonismo nos próximos anos. O futuro aponta para um setor mais dinâmico, tecnológico e preparado para atender tanto às demandas tradicionais quanto às novas oportunidades que surgem em um mundo em constante transformação.

Minibio Amanda Silveira 

Engenheira Química com especialização em Gestão de Empresas pelo IBMEC e Estratégia de Sustentabilidade pela FIA, Amanda atua há 3 anos na área de Sustentabilidade da ICONIC com experiência consolidada em projetos estratégicos voltados à responsabilidade socioambiental e à criação de valor sustentável. Ao longo da carreira, também desempenhou funções nas áreas de Qualidade, Suprimentos e Meio Ambiente, o que contribuiu para uma visão sistêmica e integrada dos processos industriais e corporativos.

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