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Classificação ACEA 2021 para motores de veículos leves: o que muda?

Conheça o teste de resistência à oxidação, CEC L-109, que é importante aliado do desenvolvimento voltado para motores a diesel. No Brasil, onde a presença de biodiesel diluído no diesel é campeã...

Publicado 14/02/2022

Grandes montadoras como Toyota, BMW, DAF, Daimler, Ford, Volkswagen, Volvo Cars, AB Volvo são membros da ACEA (l'Association des Constructeurs Européens d'Automobiles). Assim como a API (American Petroleum Institute) nos Estados Unidos, a ACEA, desde sua fundação em 1991, define os requerimentos mínimos de desempenho para os óleos de motor na Europa.

Lançada em maio de 2021, esta nova versão da especificação ACEA inclui testes de motores e bancada mais globalizados, incluindo testes oriundos da JASO (japonesa) e ASTM da API (americana). Torna-se mandatória para as solicitações efetuadas a partir de maio de 2022 para motores a gasolina (ou flex) e diesel de veículos leves. Já os produtos que atendem as especificações da versão ACEA 2016 só podem ser comercializados até maio de 2023.

Motivada pelo controle de emissões e ao atendimento dos hardwares desenvolvidos para melhoria de eficiência energética, a atualização da ACEA 2021 busca atender requisitos dos novos motores turbo de injeção direta e de economia de combustível. Testes para controle de LSPI (low speed pre ignition), depósitos no turbocompressor e aumento da eficiência de combustível foram adicionados. E foram definidos testes substitutos para os testes de motor ou de bancada que ficaram obsoletos neste 2016.

A ACEA 2021 conta com a remoção das especificações ACEA A3/B3 e ACEA C1, categorias menos robustas e direcionadas para veículos mais antigos, e com a introdução de duas categorias: ACEA A7/B7 e ACEA C6. Estas são voltadas para motores turbo, injeção direta e economia de combustível. Desta forma, a nova revisão 2021 ACEA foi setorizada de acordo com as categorias e aplicações mostradas na figura 1.

Em resumo, a nova categoria A7/B7 pode ser entendida como:
- Categoria A5/B5 adicionada dos testes:
- TCCD (turbocharger compressor deposits) – que avalia o controle de depósitos em turbo compressores;
- Seq IX – sequência de motor que avalia a ocorrência de eventos de LSPI (avalia a capacidade do óleo de motor de mitigar a pré-ignição nas câmaras de combustão de motores a gasolina sob condições de operação de baixa velocidade e alta carga);
- Seq X – sequência de motor que que avalia o desgaste na corrente e;
- TBN ASTM D4739 – teste de bancada que avalia o número de basicidade total por meio de ácidos fortes.

Já a nova categoria C6 agrega a ACEA C5 e o conjunto de testes descritos acima (TCCD, Seq IX, Seq X e TBN) além da análise para medição de economia de combustível, JASO FE.

As atualizações que ocorreram nos testes de motores podem ser visualizadas na figura 2, onde apresenta-se um esquema com um resumo das alterações.

Em termos de performance dos lubrificantes, para as categorias existentes na ACEA 2016, os limites se mantiveram os mesmos e pode-se utilizar o resultado obtido previamente, desde que atendam aos novos limites mais restritos de compatibilidade com os elastômeros. Para isto, um novo balanço de dispersante pode ser necessário, uma vez que os aditivos usados podem apresentar incompatibilidade com os elastômeros. Além disso deve-se comprovar a performance na Seq IVA (categoria legacy) ou IVB (desgaste do trem de válvula). Já para os novos testes Seq VH, M271 EVO e TDi3, é possível usar os dados dos anteriores: Seq VB, M271 Classic e TDi2.

Para as novas categorias lançadas, os ensaios e sequências ACEA 2021 terão que ser rodados e uma classe mais moderna e robusta de aditivos faz-se necessária, devido aos requisitos mais rigorosos dos testes. Por exemplo, para contermos o efeito do LSPI uma mistura de detergentes a base de cálcio e magnésio pode ser necessária.

O cenário das novas sequências ACEA 2021 para serviços leves está em linha com os padrões cada vez mais severos exigidos pelos motores modernos e legislações internacionais. São visados óleos progressivamente menos viscosos e compatíveis com sistemas de pós-tratamento cada vez mais robustos, garantindo menores emissões. Norteados pelas tendências globais não só pela harmonização das especificações, mas também em busca de um futuro mais sustentável para a indústria de lubrificantes e para o meio ambiente.

Autoras:
Pamela Barreto (Pesquisadora de Produto linha automotiva)

Maria Luiza Pereira (Analista de desenvolvimento de produtos linha leve)

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